BARANGA: A DIFERENÇA EM “O 5º DOS INFERNOS” FOI REGISTRAR AS MÚSICAS O MAIS PRÓXIMO DO QUE É A BANDA AO VIVO E TAMBÉM QUE FOSSEM MAIS CRUAS, RÁPIDAS, E PESADAS.

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Com mais de uma década de estrada e cinco discos lançados, a banda Baranga, que desde o início é formada por Xande (voz e guitarra), Deca (guitarra), Soneca (baixo) e Paulão (bateria) não se acomodaram e produziram mais um trabalho marcante em sua discografia. Batizado de "O 5° dos Infernos", o quarteto renovou sua sonoridade, fazendo um disco mais básico e pesado, que já possui clássicos como Chute na Cara, Até o Fim, Menina de 16 e Até a Cidade Acordar. 

Nesta entrevista feita com Soneca e Deca, os mesmos falam da sonoridade atingida no disco, curiosidades em relação as letras, além da primeira vez que tocaram na região norte do país.

Confiram!

Por João Messias Jr.

The Rocker: Antes de falar do novo álbum, conte-nos como foi ter tocado em Roraima. Além de vocês, o evento contou com bandas locais e o Sepultura. O que acharam da experiência e o público do norte do país?
Deca:
Foi muito legal e muito bem organizado! É um lugar que fica bem longe dos grandes centros econômicos do país, mas o pessoal de lá não se acomoda e vivem num lugar limpo e bonito e com um público de Rock de 1ª.

Soneca: Uma das grandes dificuldades de qualquer banda é levar seu som para lugares distantes. Então, chegar a Boa Vista já foi uma conquista, além disso, tocar num baita palco com uma estrutura bacana e saber que em Roraima existe uma cena local com boas bandas foi demais, um dos shows mais incríveis que já fizemos. 

The Rocker: Ainda falando sobre o giro em Roraima, vocês acham que a região norte pode ser um novo eldorado para as bandas do Sul e Sudeste?
Deca:
Incrível a quantidade de bandas de Rock pesado de som próprio que tem lá. Não vi todas, mas as que eu vi e ouvi em CD, são muito legais. Não sei se é um eldorado, mas com certeza fariam à diferença se tivessem exposição por todo o país.

Soneca: Não tem como ser um eldorado para bandas do sudeste porque o custo de transporte ainda é grande. Mas é fato que existe uma cena local na Região Norte do país e isto já é motivo de celebração, tanto pra quem é de lá, quanto pra nós aqui do Sudeste. 

The Rocker: Agora sim, vamos bater um papo sobre o novo trabalho, que recebeu o singelo título de “O 5° dos Infernos”. Por ser o quinto álbum, houve alguma preocupação ao fazê-lo?

Deca: Tivemos muito mais cuidado com timbres, do que quando fizemos os outros quatro álbuns, e principalmente fizemos questão de terminar muita coisa no estúdio para conseguir registrar o máximo de espontaneidade.

Soneca: Testamos tudo antes de gravar: caixas, amplis, pedais, microfones etc. O estúdio virou um laboratório, ou melhor, um manicômio, em que podemos nos divertir e ao mesmo tempo trabalhar nos melhores timbres que já tiramos em gravações.

The Rocker: O trabalho anterior, O Céu é o Hell tinha uma produção mais limpa e músicas com cara de hits, como Na Madrugada. Já no novo álbum, vocês fizeram um disco mais sujo e na cara. Vocês não ficaram satisfeitos com o disco anterior?
Deca:
Adoramos o “Céu é o Hell” e os fãs também adoram porque vende muito bem e já vai pra 2ª prensagem. A diferença em “O 5º dos Infernos” foi registrar as músicas o mais próximo do que é a banda ao vivo e também que fossem mais cruas, rápidas, e pesadas. 

Soneca: Fiquei satisfeito sim. Mas cada disco é um retrato do momento, se fossemos gravar o disco novo agora com certeza teriam coisas diferentes. Tanto conscientes quanto inconscientes.

The Rocker: Nessa “sujeira” toda, podemos dizer que o disco se divide basicamente em duas vertentes, mas citarei em outras perguntas. O primeiro lado são as influências do rock dos anos 50/60 que podem ser ouvidas em Até a Cidade Acordar e Três Oitão. Apesar da influência estar presente em todos os discos da Baranga, aqui está mais latente. Foi de propósito?

Deca: Nunca fazemos nada de propósito. Sempre somos honestos em compor, gravar e tocar ao vivo o que gostamos e do jeito que gostamos. Claro que, mesmo sem ser intencional, aparecem naturalmente em nossas músicas todas as nossas influências, que vão de muitas bandas e artistas de Rock ‘N’ Roll e Blues nacionais e internacionais de todas as épocas e de qualquer lugar do planeta. 

Soneca: Acho que não foi de propósito. Essas influências são intrínsecas em cada um de nós. E após anos trabalhando, quando vamos compor, apesar de algumas diferenças, a música sai naturalmente com a cara da banda. 

The Rocker: Já a faixa título lembra Elvis. Houve uma inspiração especial do Rei do Rock ao conceberem esta canção?

Deca: Não, essa eu fiz buscando mais peso, mas como disse às vezes as influências aparecem e a gente nem percebe.

Soneca: De qualquer forma, é um baita elogio!

The Rocker: Outra influência marcante é a do heavy rock, Chute na Cara, Cachaça em Ação e Diabo, Teu Nome é Mulher mostram esse lado. Confesso que me surpreenderam. Quem da banda é fã do estilo e qual a reação de vocês ao notarem essa pegada no disco?

Deca: Acho que todos somos Heavy Rockers e ficamos felizes de fazer um álbum mais pesado.

Soneca: Sempre curtimos sons pesados, principalmente os pioneiros no estilo. Curto muito Black Sabbath, por exemplo. Se prestar atenção, “Cachaça Em Ação” tem algo de Rainbow. “Chute Na Cara” lembra Motorhead, que sempre foi uma das nossas influências explícitas. Já “Diabo, Teu Nome É Mulher” é um blues que ficou pesado por dois motivos: primeiro porque não sabemos tocar “leve” (risos) e segundo porque a música é em Ré, e o baixo está afinado com o bordão em Ré o que possibilitou um peso extra na música. 

The Rocker: As letras continuam ácidas, mas duas chamam a atenção. Menina de 16 fala do “jeito Baranga de ser” os cuidados que os homens devem ter ao mexer com as ninfetas. Em algum momento vocês tiveram algum medo de serem associados com a pedofilia?

Soneca: Nunca. Não estamos falando de crianças, nem de prostituição infantil. A música fala de algo normal e corriqueiro desde que o mundo é mundo. E não somos os primeiros a abordar o tema. Chuck Berry fez isso há 50 anos com “Sweet Little Sixteen”.

The Rocker: T.V. Assassina fala de uma forma digamos, nada sutil as novelas da TV Globo e da MTV. Vocês temem serem processados pelas emissoras homenageadas?
Soneca:
Medo nenhum. Mesmo porque só seríamos processados se a banda estivesse no mainstream ganhando rios de dinheiro, aí sim acho que pensariam em tirar uma casquinha (risos)!

The Rocker: O disco encerra com Até Morrer, cuja linha arrastada me fez lembrar do Black Sabbath. Uma curiosidade: o que acharam de 13, novo álbum da banda?
Deca:
Muito bom mesmo!

Soneca: Achei excelente, incluindo as faixas bônus que são imperdíveis! Tem uma baita gravação, principalmente no som de baixo e guitarra. É o melhor timbre de baixo que o Geezer Butler já tirou em estúdio. E o blues “Damaged Soul” tem um solo fantástico do Iommi. E a “Até Morrer” tem uma pegada stoner rock sim.

Conte-nos da venda digital das canções do disco.

Deca: O que tem na internet é exatamente o que tem no CD e a ideia de explorar a internet porque é um canal que tem crescido no Brasil para venda de música.

Soneca: A venda digital é um paliativo para a queda de vendagens do CD físico. Apesar de o download atingir principalmente artistas grandes não podemos ficar estagnados no milênio passado, sem disponibilizar as músicas para venda on line.

The Rocker: Apesar de cantarem em português, a banda possui condições para fazer bonito no exterior, em especial nos países latinos, os quais vocês já tiveram a oportunidade de mostrar o som. Dentre os países latinos, onde a Baranga está bem na fita?

Deca: Não sei te dizer, porque faz um tempo que não exploramos mais esses mercados. Tocamos ao vivo no Chile, foi muito bom e músicas foram tocadas em rádios e podcasts de Rock de lá. Algo também foi tocado na Argentina e na Espanha. Mas acho que somos muito brasileiros, não só no idioma, mas no jeito que são as letras, com uma malandragem bem Brasil.

Soneca: Apesar da proximidade entre a língua portuguesa e a espanhola, o Brasil continua a ser um país isolado daqui até a América do Norte. Enquanto a maioria dos nossos vizinhos fala espanhol, somos o único país que fala português, queira ou não isso é uma barreira. E um país das dimensões do Brasil tem obrigação de criar um mercado de autossuficiência pra não precisar depender de viagens pra Europa ou qualquer lugar que seja.  Já se faz isso com os estilos populares, então porque não com o Rock e o Heavy Metal?

The Rocker: Para encerrar, com cinco CDs na praça, quais os planos para um DVD, visto que as apresentações da banda são sempre marcantes?
Deca:
Como acabamos de lançar o CD novo, estamos mais executando os planos que fizemos do que fazendo novos planos. No entanto, do que estamos começando a falar é bem diferente de um DVD e vai à direção de resgatar versões que fazíamos no início da banda, de músicas de grandes mestres do Rock nacional dos anos 1960 e 1970.

Soneca: O DVD sempre está em pauta. Mas toda vez que surgem músicas novas a prioridade passa a ser um disco novo de inéditas. Mesmo assim, em um futuro próximo, espero produzir esse DVD pra deixar registrada a intensidade que é um show da Baranga.

The Rocker: Muito obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores da TeleObjetiva.

Deca: Conheçam “O 5º dos Infernos” e, se possível, todo o trabalho da Baranga. E procurem shows e músicas de bandas brasileiras que fazem som próprio, principalmente as que cantam em português. Vocês vão descobrir muita coisa legal, e com sorte, ajudar a criar uma cena Rock ‘N’ Roll grande e interessante. 

 

Soneca: Obrigado pelo espaço. Ouçam nossos discos e apareçam nos shows porque é diversão garantida! Valeu!

www.barangarock.com.br 

Sobre o autor: Joao Messias Jr.

João Messias Jr., ouve rock há mais de 20 anos e neste período criou os fanzines Clepsidra, Da Pacem Domine e New Horizons, este último existe hoje apenas na internet. Além do New Horizons, possui publicações veiculadas em portais como Undersound, Rock Post, Die Fight e Roadie Crew.


+ informações
email: joaomessias@teleobjetiva.com.br
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