Entrevista: Helder Honorio (The Book Zine)

894

Views

Heder Osny é das antigas! Editor do The Book Zine e atuante na cena Underground nacional e acima de tudo um Headbanger de verdade, bateu um papo com esse que escreve estas linhas e nesta conversa surgiram coisas interessantes mesclando passado, presente e futuro. Confiram a entrevista! The Rocker: Heder, conte-nos da volta do The Book Zine. Como surgiram os planos para o retorno e o que as pessoas estão achando?



Heder Osny: Olá, João! A volta do zine foi uma surpresa até para mim mesmo. Inicialmente, quando eu parei com o zine, pensei que seria algo definitivo, tanto que foi uma decisão que demorei a tomar. E foi recentemente, pouco a pouco, que fui vendo que aos poucos que a tecnologia utilizada na Internet já estava realizando feitos simplesmente impraticáveis naquela época. No fim das contas, entendi que com a Internet no estado que está hoje eu poderia fazer um site do zine da maneira que eu queria antigamente mas não era possível. Ainda não concretizei tudo o que planejei, mas o mero fato de que hoje, tendo menos tempo livre que eu tinha naquela época, estou conseguindo levar o zine adiante, já é um belo indício que sim, hoje em dia a tecnologia é mais rápida confiável e eficiente para isso. Quanto à reação das pessoas, tem sido MUITO melhor do que a esperada nas minhas previsões mais otimistas. Em um mês de atividade, passamos dos 2 mil acessos no blog, tanto de origens brasileiras como de origens estrangeiras. Se você pegar todas as edições anteriores do zine em papel que foram distribuídas e todas as pessoas que leram a cópia de um amigo, tenho toda a certeza que não chegou a 2 mil leitores, então, como disse, a recepção e a reação estão sendo superiores ao que esperava.

 

The Rocker: E nesta volta do The Book Zine, quais os estilos que você irá divulgar nesta volta e o que podemos esperar em relação a entrevistas e reviews?

 

Heder: Para este retorno estou tentando me manter dentro dos padrões usados antigamente, ou seja: abordo com igual atenção bandas de metal, hardcore, death, thrash, doom, punk, grind, rock, jazz, blues, enfim, o que seja um trabalho underground feito com honestidade, sempre buscando divulgar o máximo possível as bandas que estejam dispostas a mostrar seu trabalho.

 

The Rocker: O The Book Zine voltou como um blog. Você pensa em fazer um zine impresso novamente, ou mesmo um PDF do que está saindo no Blog?

 

Heder: Ah, sem dúvida! O plano é mais ou menos a cada 2 meses montar um PDF do zine e disponibilizá-lo para leitura diretamente no blog. Além disso, para expandir a divulgação do meu trabalho e do trabalho das bandas, disponibilizarei uma outra versão devidamente formatada pronta para ser impressa e xerocada. Assim, se você morar em algum lugar distante, onde eu não posso estar pessoalmente, fique à vontade para imprimir, xerocar e distribuir nos shows que você frequenta. Isso se aplica também ao pessoal fora do Brasil, uma vez que também disponibilizarei a edição em inglês. Claro, se preferir, fique à vontade para cobrar o preço de suas cópias. Neste exato momento, a edição nº8 já está disponível nesses moldes. Planejo futuramente escanear os originais das edições anteriores e disponibilizá-los online dessa mesma maneira.

 

The Rocker: E já que falamos em zine impresso, acredito que vivemos a mesma época de postar cartas no correio e cuidar da confecção dos mesmos. Apesar de termos um trabalho maior. Quais as saudades que você tem desta época?

 

Heder: Pois é, cara. Eu não diria que sejam saudades, seria mais boas lembranças, mesmo. Era legal ir ao Correio todos os dias e o pessoal dos guichês sempre lembrar de você, procurar um local para tirar xerox que fosse bom e barato (às vezes eu andava DEMAIS para garantir que teria cópias boas), isso sem contar a empolgação de quando chegava pela primeira vez uma carta de um lugar novo ou quando aquela banda que você curtia pra caramba respondia suas perguntas para a entrevista. Era demais, mesmo. Nessa história toda, acho que a melhor lembrança que guardarei será a do Metanoia Fest 2001, onde encontrei na mesma tacada com o Cássio Antestor da Extreme Brutal Death, o Flávio de Souza da Metal Mission e o Michael do Bloodwork. Tudo gente que eu já conhecia a tempos, mantinha correspondência, no caso do Cássio e do Flávio já conhecia pessoalmente e no caso do Michael, o contato também era antigo, uma vez que sua banda anterior, o Paradox, foi entrevistada na primeira edição do zine. Sem dúvida foi uma ótima época e foi bem aproveitada, apesar de todas suas dificuldades.

 

The Rocker: Mudando um pouco o foco, sem cair em julgamentos, mas vemos um oba oba no Heavy Metal em geral, devido aos grandes festivais, TODOS falam que são fãs de música pesada, mas apenas no Rock In Rio e SWU e outros shows maiores. Mas acabam se esquecendo do Underground. Recentemente tivemos um fest que contou com Almah, Shaman, Hibria, Hangar, entre outros, com pouco público, que resultou numa polêmica entrevista com Edu Falaschi (Almah) para um portal especializado, onde o mesmo criticou a postura dos "headbangers" por não irem aos shows e cultuarem apenas o que vem de fora. Queria a sua opinião a respeito.

 

Heder: Acho que tem mais de um lado nessa história. Parece-me que o público do metal hoje em dia está fragmentado em várias facções: há aqueles que preferem prestigiar o underground e ignorar bandas mais mainstream, há aqueles que preferem encarar o mainstream metálico como a corrente de bandas com trabalho efetivamente sério e ainda aqueles que simplesmente querem ver suas bandas favoritas e não passar tempo procurando e pesquisando e coisas do tipo. Aí nessas, acaba se formando essa sensação errônea que as pessoas não estão dando atenção para a cena nacional. Eu discordo, cara! O fato é que hoje é MUITO mais fácil você ter acesso a material estrangeiro em versão nacional ou mesmo a material importado, aí nessas, as bandas nacionais acabam tendo que trabalhar duro para manter um nível de qualidade à altura. E mais: as bandas que costumavam ser padrão de qualidade em metal nacional acabam tendo que ralar mais ainda para se manter como tal. Não acho que esteja faltando pessoas nos shows nacionais, não mesmo. Praticamente todo o fim de semana há shows de metal pelo país inteiro, e não são botecos com meia dúzia de gatos pingados, são públicos que enchem bares, casas de shows e semelhantes. Até mesmo embaixo do vão livre do Masp o pessoal tem tocado. Então o que vejo não é o pessoal “deixar de apoiar a cena”, apenas vejo crescimento desses vários públicos que citei.

 

The Rocker: E você voltou com sua banda, o Crown Of Pain. Quais os planos que você tem para a banda?

 

Heder: Os planos avançam pouco a pouco. Estou buscando algo um pouco mais experimental do que o apresentado na demo anterior. O problema que eu tinha anteriormente, a falta de membros para uma formação fixa, será solucionado com o que eu chamo de “abordagem blues” da música: apresentar-me sozinho, apenas vocal e baixo (distorcido). Claro, isso dependerá das pessoas terem a coragem de apostar em um formato de metal fora do tradicional. Mas, em algum momento, já aconteceu isso. Por exemplo, hoje em dia na cena black metal é algo relativamente comum formações simplesmente de vocal, guitarra e bateria, sem baixo. Creio que seria possível fazer algo parecido com o doom. Basta tentar. Enquanto isso tudo não acontece, quem ainda não conhece o som e está curioso pode ouvir a antiga demo de 2003 disponível em www.myspace.com/crownofpain ou mesmo baixá-la em http://www.4shared.com/zip/5ASzxQGI/C ... ain_-_Miserere_Nobis.html.


The Rocker: Antes de encerrar, vou citar algumas bandas dos anos 90 e queria sua opinião a elas: Centennial, Strangulation, Tempestas, Necromanicides e The Joke.

 

Heder: • Centennial – Muito curiosa. Eu sempre penso nela como o Metallica tocando doom. Foi muito interessante a existência de uma banda nesses moldes justo na época em que todos estavam acostumados ao doom metal com tendências mais góticas. • Strangulation – Excelente banda death! É outra perda que eu lamento muito, e cujo CD até hoje procuro nos sebos da vida! (risos) •Tempestas – Tanto com relação a esta quanto com relação ao Strangulation, lembro que ambas as bandas eram citadas como tendo uma influência exagerada do Death. É impressionante como isso é um fato e ao mesmo tempo ambas as bandas são tão diferentes entre si. No final das contas é um belo reflexo de qual é a verdadeira importância do Death na história do metal: sua capacidade de influenciar bandas tão díspares e tais influências permanecerem claramente visíveis.


• Necromanicider – Creio que de toda a cena do metal cristão dos anos 90 essa seja a que eu mais lamento não ter visto ao vivo. Eu tenho uma cópia de sua demo e tenho o CD e lamento dizer, as versões da demo eram muito mais impressionantes. Por um tempo, pensei que gostaria que eles montassem uma formação e voltassem a tocar, mas após repensar a questão achei melhor deixar como está. Nostalgia pode ser um negócio perigoso, às vezes.


• The Joke? - Aqui sou obrigado a confessar minha ignorância. Sei o que foi o The Joke?, qual sua importância e a grande banda que dele derivou. Mas a banda, propriamente, não cheguei a ver...


The Rocker: Heder! Foi muito legal entrevistá-lo! Deixe uma mensagem aos leitores desta coluna!


Heder: Obrigado pelo espaço, João! É sempre bom poder dar minha opinião para as pessoas dispostas a ouvir. E obrigado para vocês também, leitores, por pararem um pouco e lerem estas palavras. Dêem uma passada no The Book Zine, e lembrem-se sempre: Não há alguém responsável pelo underground, ele é algo que TODOS NÓS fazemos. Então, vamos apoiá-lo! Vamos a shows, vamos ler zines, vamos comprar demos, vamos fazer contato com as bandas! Só não vamos ficar no canto parados reclamando e de braços cruzados!www.thebookzine.blogspot.com

 

Sobre o autor: Joao Messias Jr.

João Messias Jr., ouve rock há mais de 20 anos e neste período criou os fanzines Clepsidra, Da Pacem Domine e New Horizons, este último existe hoje apenas na internet. Além do New Horizons, possui publicações veiculadas em portais como Undersound, Rock Post, Die Fight e Roadie Crew.


+ informações
email: joaomessias@teleobjetiva.com.br
Sobre a TeleObjetiva

A TeleObjetiva estúdio de comunicação Ltda é uma produtora de TV, Vídeo e Fotografia, com sede em São Paulo-SP. Oferece ao mercado soluções em transmissão ao vivo, programas e comerciais em vídeo para TV e Internet e o desenvolvimento de WebRádios, WebTVs e TVs Corporativas.

Newsletter