Entrevista: Predator

939

Views

Batalha, perseverança e recompensa. Com essas palavras eu chego a uma definição muito próxima da trajetória deste trio gaúcho de Death/Thrash Metal. 
Tendo mais de uma década de estrada, a banda já lançou algumas demos, um CD, e lançou recentemente um EP chamado Earthquake, que reune músicas inéditas, e as primeiras demos. 
Nesta entrevista, os membros Luciano Hoffmann (baixo) e Roberto Ceccato(bateria), relatam a trajetória de mais de 10 anos, as conquistas, a parceria com a Death Toll Records, novos trabalhos, além de um triste acontecimento na última tour. 
Confiram: 



Predator capaThe Rocker: Como é fazer Death Metal no Brasil? 
Luciano Hoffmann: Não é fácil, passamos por diversas dificuldades, acho que não é só no Brasil em outros países também, as bandas de Death metal tem problemas, mas a luta sempre continua! 
Roberto Ceccato: O Death Metal pode ser discriminado, mas por outro lado, temos seguidores fiéis que amam o metal como a gente e isso nos torna cada vez mais forte para continuarmos! 

The Rocker: Vocês lançaram em 2007 o álbum Homo Infimus, que se não me engano contou com o fundo de incentivo a Cultura. Quais os passos dados para conseguir esse incentivo e se eles em algum momento negaram o benefício devido ao estilo da banda.
Luciano: O projeto de incentivo a cultura é da prefeitura de nossa cidade Caxias do Sul, tivemos que preparar um projeto consciente, constando no mesmo que o Metal é uma forma de expressão Cultural e deve ser respeitada e levada a sério. Alguns anos anteriores o nosso projeto foi negado, mas continuamos tentando até que conseguimos, o que foi um fato inédito uma banda de Death Metal ganhar este incentivo. 

The Rocker: Vocês também possuem um vídeo clip da música Osiris. O que as pessoas acharam do vídeo e como está sua veiculação? 
Roberto: A música Osiris é muito antiga e muito conhecida na nossa área, o pessoal curti muito e o clip foi uma maneira de divulgar ainda mais a música. Em breve faremos um vídeo mais profissional, com mais recursos, mas o vídeo de Osiris agradou bastante ao antigos fãs do Predator. Todos os shows o pessoal pede essa música. 
Luciano: Este vídeo teve uma grande repercussão não só no Brasil como em outros países, apesar de ser um vídeo clipe simples recebemos até hoje elogios sobre o clip da música Osíris. 

The Rocker: Falar de metal extremo no Brasil(e no mundo) é impossível não citar o Krisiun. O que acham da banda e qual a sensação de ver um nome do nosso país levantar a bandeira do estilo mundo afora sem abrir concessões e inovando sem soar oportunista? 
Luciano: Olha, somos amigos dos caras, achamos que o Krisiun abriu muitas portas, já tocamos juntos e eles são muito profissionais, a banda é simplesmente sensacional não falo isto como amigo, mas como fã do Krisiun. 
Roberto: A primeira vez que vi os caras foi em 1997 e eles continuam simples como no começo, mas estão cada vez mais profissionais e foda no que fazem. Todos somos fãs e admiramos muito como pessoas também! 

The Rocker: Agora perguntarei sobre algo que embora seja triste é necessário para a matéria, sobre o triste ocorrido com os membros da banda After Death, que vieram a falecer no meio da tour que estavam fazendo com vocês e o Master. Como foi receber esta notícia e qual a quais os motivos que os levaram a concluir a tour? 
Luciano: Cara foi a pior coisa que aconteceu com a gente nestes 14 anos de banda, os caras eram nossos amigos, excelentes músicos, uma educação e caráter impecáveis ; continuamos por eles e todos o Shows desta tour foram dedicados em homenagem aos nossos irmãos falecidos. 

The Rocker: A tour passou por diversos estados do Brasil, como foram os shows, e quais as principais lições que se tem quando se faz uma tour tão longa como fora essa? 
Roberto: Foi a 4ª tour com o Predator, tivemos a oportunidade de reencontrar muitos amigos da antiga. Todos os shows tiveram ótimo público, com certeza foi a tour com melhor estrutura que fizemos! A cada tour a gente percebe que o público do Predator aumenta, fizemos novos amigos a cada nova tour. A nossa vida é estar na estrada junto ao nosso público. Já passamos mais de 100 dias sem voltar pra casa, passamos por dificuldades, mas sempre cumprimos com a nossa missão! Levar o Metal ao topo mais alto! Não vemos a hora de voltar pra estrada, beber e celebrar o metal com nossos irmãos do metal! 
Luciano: É uma grande experiência cultural e de vida, na estrada você aprende a viver mesmo. 

The Rocker: Para encerrar sobre a tour, apesar da tragédia ocorrida com os membros do After Death, sempre tem histórias que ocorrem nestes shows. Há alguma que merece ser citada e qual o tratamento dos "gringos" do Master e After Death com vocês? 
Roberto: Histórias, tem tantas que a gente ocuparia o espaço todo. Impossível não lembrar dos meninos do After Death muita bagunça, barulho e o Kendo (Vocalista) sempre sumia. Ótimos garotos! O Master se resume ao Paul que foi um cara muito bacana com a gente ele tem uma história de vida e superação que nos inspirou muito. A gente dormia e acordava com os caras todos os dias... 12 pessoas. Cada dia era um capítulo de um livro. O Motorista Sr. Ferreira foi a nossa maior surpresa. Um senhor de 60 anos que se apaixonou pelo underground e viveu tudo com a gente de uma maneira sensacional! O tratamento deles era da mesma maneira que a gente tratava. Respeito e Humildade. Claro que tivemos discussões e pequenas brigas, mas tudo era resolvido rapidamente. A turnê foi ótima, apesar do grande desastre com os meninos. 
Luciano: Foi excelente ficamos amigos até hoje, sempre fomos respeitados e respeitamos eles também. 

The Rocker: Mudando um pouco de rumo, a banda fechou uma parceria com a gravadora Death Toll Records, que está oferecendo um grande suporte para vocês, que acredito ser primordial para uma banda promover seu trabalho. Como vocês conseguiram esta parceria, quais os frutos colhidos e o que podemos esperar para o futuro?
Roberto: Foi uma parceria que foi crescendo rapidamente, estamos cada vez mais próximos, o Miguel faz um trabalho que eu até agora não tinha visto em nenhuma gravadora. Ele faz parte da banda e quer vencer como a gente! O Futuro é agora, vamos botar pra fuder nos próximos lançamentos a Insanidade NUNCA pára. 
Luciano: Foi o nosso amigo e produtor de shows de Aracajú, o Júnior, passou o contato da Death Toll. Enviamos material para a gravadora analisar e hoje estamos no set da gravadora, lançamos com a Death Toll o cd Earthquake, que conta com 3 músicas novas e todas as nossas demos mixadas e masterizadas novamente totalizando 10 músicas neste álbum lançado aqui no Brasil e na Europa; esperamos com eles lançar o nosso CD novo agora em 2010, aguardem pois promoveremos nos sons novos o caos e a destruição. 

The Rocker: Vocês são de Caxias do Sul, cidade que gerou excelentes bandas de Thrash como Scraper Head, Deadly Shadows, Game Over, que tinham um potencial muito elevado, mas que por diversos motivos não estão mais na ativa. Vocês acham que se elas encontrassem um parceiro como a Death Toll elas estariam na ativa promovendo seus trabalhos de forma digna? 
Luciano: Isto não depende somente da gravadora. Deve haver uma parceria, a banda e gravadora devem estar juntas no mesmo objetivo e lutar para alcançar as suas metas, essas bandas fizeram a história do metal aqui de Caxias e merecem respeito, com certeza se eles estivessem na ativa o metal aqui seria bem melhor. 
Roberto: Crescemos escutando essas bandas, indo aos shows e nos inspirando no trabalho deles. Quase todos são amigos pessoais e ainda curte o verdadeiro Metal. Algumas vezes saímos juntos para relembrar os velhos tempos! 

The Rocker: Sabe, esse assunto me fez pensar em muitas coisas sobre o Underground, onde vemos a cena por alguns pontos: que os fãs são fiéis, e devem comprar produtos originais, comparecer á shows, etc, mas vemos que na prática a coisa é outra, visto que poucos compram CD's destas bandas e preferem pagar absurdos para verem shows do Metallica e Iron Maiden, mas não pagam 10 reais para assistirem concertos de bandas nacionais. Qual a opinião de vocês sobre isso e se há maneiras de equilibrar este tipo de atitude? 
Roberto: Difícil responder sobre isso. Muitos falam, poucos fazem. Agradecemos aos que realmente fazem e respeitam o underground. Nós vamos a todos os shows under, compramos demos e organizamos shows. Ainda assim muitos falam mal e inventam intrigas e fofocas que só enfraquesem a cena. Metal não é para qualquer um. Temos a sorte de vender muito merchandise oficial, isso é que nos proporciona a fazer turnês tão grandes. Agradecemos a cada um que comprou nosso CD e não baixou da Internet. As bandas Undergrounds precisam do apoio de TODOS nós. 
Luciano: Só há um jeito, é preciso mudar este conceito, mas isto só depende das pessoas mudarem e levarem o Underground mais a sério. 

The Rocker: Ainda falando no Underground, quem viveu o início da cena no meio dos anos 80 e até o início dos 90 percebia que as pessoas eram mais unidas, talvez pela dificuldade em conseguir produtos, espetáculos e até mesmo informações, mas hoje vemos que em sua maioria todas acabam criado uma espécie de rivalidade umas com as outras. Expliquem a opinião de vocês a respeito. 
Luciano: A nossa opinião é que devemos nos unir mais e esquecer esta besteira de rivalidade o metal é união (claro deste que não envolva religião e igrejas pois somos contra cristão, evangélicos e outras porras religiosas), e devemos manter esta ideologia de união sempre. 

The Rocker: Antes de encerrar, queria que vocês comentassem sobre o novos lançamentos: o single Earthquake e do novo álbum, que será produzido por Russ Russell, quais as expectativas com ambos e se consideram vitoriosos por agora estarem conseguindo lançar seus trabalhos com maior freqüência . 
Roberto: Cara, o Earthquake já está sendo divulgado. Com a tour com o MASTER podemos mostrar as músicas novas e vendemos bem o EP. Vamos para a Europa, fazemos uma tour grande por lá e vamos gravar o novo disco. Com certeza o CD vai ser um divisor de águas na nossa carreira. As músicas novas estão fodas e a produção vai ser super profissonal! Vamos com todo o ódio e mostrar com muito orgulho que a PREDATOR é o verdadeiro DEATH METAL BRASILEIRO! 
Luciano: Estamos muito felizes com esta notícia, vamos ver o que vai acontecer e deixar rolar. 

The Rocker: Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores da TeleObjetiva! 
Luciano: Muito obrigado pela oportunidade desta entrevista pela TeleObjetiva, um grande hail a todos os fiéis headbangers. Nossa luta continuará até o underground ser respeitado como merece! Roberto: Obrigado a todos acessem o nosso myspace e confiram as novidades! Em breve nos vemos na estrada! www.predatordeath.com www.myspace.com/predatordeath Foto: Divulgação

Sobre o autor: Joao Messias Jr.

João Messias Jr., ouve rock há mais de 20 anos e neste período criou os fanzines Clepsidra, Da Pacem Domine e New Horizons, este último existe hoje apenas na internet. Além do New Horizons, possui publicações veiculadas em portais como Undersound, Rock Post, Die Fight e Roadie Crew.


+ informações
email: joaomessias@teleobjetiva.com.br
Sobre a TeleObjetiva

A TeleObjetiva estúdio de comunicação Ltda é uma produtora de TV, Vídeo e Fotografia, com sede em São Paulo-SP. Oferece ao mercado soluções em transmissão ao vivo, programas e comerciais em vídeo para TV e Internet e o desenvolvimento de WebRádios, WebTVs e TVs Corporativas.

Newsletter