LIVE METAL FEST: A CONSOLIDAÇÃO DO EVENTO

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“Terceira edição do festival apresentou seu cast mais poderoso com as bandas Against Tolerance, Command6, Trayce, Ancesttral, Kamala e Spallah”

 

Texto: João Messias Jr.

Fotos: Bruno Gama

Após duas edições consolidadas, o Live Metal Fest chegou a sua terceira edição trazendo até então seu cast mais poderoso, que mesclou as já conhecidas do evento Against Tolerance, Trayce e Command6 ao lado das “novatas” Ancesttral, Kamala e Spallah.

Chegando as dependências do Inferno Club, a expectativa não foi nada animadora, pois havia poucas pessoas na casa. E com esse público que o festival teve início com a banda Spallah. Não conhecia o som do quarteto, formado por Rafael (voz), Paulo (guitarra), Vicente (baixo, Screams of Hate) e Gwab (bateria), fiquei impressionado com a música praticada pelos caras.

Com uma mescla de new metal com thrash e hardcore, o som dos caras chama a atenção por ser mais solto, graças às guitarras de sete cordas e o baixo de cinco, além de influências de estilos como o jazz e a soul music.

Dessa forma, as canções são menos engessadas e a apresentação teve como destaques Welcome, Semiotic e Shine, que contou com Clayton (vocal, Screams of Hate), dividindo os vocais com Rafael.

O show marcou a despedida do baixista Vicente, que também faz parte do Screams of Hate.

Trayce - Marcelo Campos

Sonhos realizados                                   

A segunda banda a se apresentar foi o Kamala. De Campinas, o quarteto apresentou uma formação diferente das que estamos acostumados a ver nos discos, que  conta hoje com Raphael Olmos (baixo/voz), Andreas Dehn (guitarra), Luiz Moura (guitarra) e Nicolas Andrade (bateria).

A apresentação da banda, conhecida por misturar thrash/death e ritmos orientais, mostrou que já fazem por merecer uma oportunidade de no exterior. A música da banda mistura essas texturas exóticas com muito peso e riffs criativos, como em Gluttony e Root, que possuem solos magistrais, que tem um pé no hard rock e que ao vivo ficaram melhores. Outros destaques foram Push, Solar Plexus e The Fall. Um sonho realizado ao assistir esse show! Against Tolerance

O quarteto também chamou a atenção por ter como pano de fundo a arte de seu último trabalho, o excelente The Seven Deadly Chakras, que tem em sua arte a bela atriz de filmes adultos Bruna Vieira!

Conhecida por suas performances energéticas, às 18h40 o Ancesttral subiu ao palco do Inferno. Sem delongas, o quarteto formado por Alexandre Grunheidt (guitarra/voz), Alexandre Brito (guitarra), Renato Canônico (baixo) e Denis Grunheidt (bateria) detonou seu thrash/heavy que possui influências “metallicas”, mas que aqui é positivo, pois seguramente posso dizer que eles estão bem melhores que a turma de James Heitfield e Lars Ulrich.

A apresentação teve início com Demolition Man, Bloodshed and Violence e The Famous Unknown, o que agradou a todos os fãs de música pesada de qualidade. Outros destaques foram Trust, a inédita What Will You Do e Feel My Hate, que encerrou este show, que se caracterizou pela energia e segurança.

E quem disse que o metal não realiza sonhos?

Raphael Olmos -Kamala

O próximo frontman do metal nacional?

O Command6 é uma das bandas que atuaram em todos os LMF. E o que poderia ser um sinal de acomodação veio a tona com a apresentação “possuída” do quinteto. Wash (voz), Bruno Luiz (guitarra), Johnny Haas (baixo) e Bugas (bateria), além do apoio de Alex Gizzi (Trayce) nas seis cordas. A apresentação começou com as energéticas Crush the World, Lies So Pure e So Cold, em que apesar da banda coesa, um integrante acabou roubando a cena: Wash.

O vocalista, que aqui estava de bandana no melhor estilo Mike Muir (Suicidal Tendencies), tem uma performance insana: pula, dança, incita o público as rodas. Se seguir essa métrica, tem tudo para ser lembrado como um ícone do estilo, façanha dos mestres Marcello Pompeu (Korzus) e Vitor Rodrigues (Voodoopriest).

AncesttralSó que a apresentação tinha mais e Black Flag e Jesus Cry mostraram o poderio das guitarras, que passeiam tranquilamente pelo thrash, grunge e metal tradicional sem perderem a maestria.

O final foi apoteótico com Slave New World (Sepultura), em que o baixista Johnny foi para a pista agitar com a galera.

O Trayce é uma das bandas mais interessantes do metal atual. Unindo diversas tendências em sua música, conseguem um resultado uniforme, que pode agradar fãs de metal e pop, como no seu mais recente álbum, Bittersweet.

Desfalcada nesta apresentação de seu vocalista, Marcelo Carvalho, os remanescentes Alex Gizzi e Fabrício Modesto (guitarras), Rafa Palm Ciano (baixo) e Marcelo Campos (bateria) contaram com o já comentado Wash, que mostrou que pode ser considerado mais um membro da banda. Com uma atuação segura e marcada pela agressividade, trará aos fãs a lembrança dos tempos com o antigo vocal, Diego Prado.

Apesar de ter assistido diversos shows dos caras, não tem como enjoar, pois as músicas contêm tesão, energia e uma veia acessível que as tornam especiais, como Look At Yourself, Land of Hatred, Roll the Dice e The Rain.

O show foi marcado pela participação de Rapahel Olmos em B.O.Y.H. e Clayton Bartalo (Screams of Hate) em F*** my Hate, ambos com um ótimo desempenho.

O encerramento foi com trio de metal experimental Against Tolerance. Biel Astolfi (bateria/voz), Vitor Curi (guitarra/voz) e Hugo Bispo (baixo/voz) não se assustaram com a responsabilidade de fechar o evento e mostraram um som forte, intenso e com três excelentes vozes que se complementam.

Rafael Cardoso - Spallah\o EP Redefined, os caras apontam para a melhor fase da carreira, com músicas brutais, cheias de texturas e muito peso. O que deixa a banda mais legal, é que assim como o Spallah, usam influências fora do estilo e fazem coisas maravilhosas como a versão para Redemption Song (Bob Marley). Outros destaques foram Cold Hearts; With Out Your Hands; Zaraoustra, Zaraoustra e o encerramento com Try Again, Fail Again, Fail Better. Uma pena que parte do público tinha ido embora e não teve a oportunidade de conferir essa ótima apresentação.

A terceira edição do Live Metal Fest mostrou que o evento tem tudo para conquistar os paulistanos, pois reúne boas bandas, uma casa legal, estrutura, só falta ter mais gente, pois embora tivesse um bom número, iniciativas como essa merecem casa cheia. Sempre!

Outras fotos do evento podem ser vistas nesta página:

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Sobre o autor: Joao Messias Jr.

João Messias Jr., ouve rock há mais de 20 anos e neste período criou os fanzines Clepsidra, Da Pacem Domine e New Horizons, este último existe hoje apenas na internet. Além do New Horizons, possui publicações veiculadas em portais como Undersound, Rock Post, Die Fight e Roadie Crew.


+ informações
email: joaomessias@teleobjetiva.com.br
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