TEM SIM SENHOR: METAL PRA BATER CABEÇA

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“Novo capítulo da série apresenta bandas de thrash/death metal que possuem como características shows intensos”

Por João Messias Jr.

Capas: Divulgação

Confesso para vocês que criei a série “Tem Sim Senhor” como uma forma de alertar os ditos headbangers sobre os trabalhos de qualidade feitos por bandas brasileiras. Depois de ter escrito sobre grupos de technical death metal e de vertentes mais experimentais, pensei: “VOU ESCREVER SOBRE O QUE AGORA?”. Depois do desespero e um café feito na hora, resolvi colocar bandas que além do peso, colocam o coração em suas apresentações. Numa difícil escolha, escolhi três bandas que tive a felicidade de ver no Panzer Fest: Woslom, Nervochaos e Forka.

Vamos começar falando do Woslom. O quarteto formado por Silvano Aguilera (voz e guitarra), Rafael Iak (guitarra), Francisco Stanich Jr. (baixo) e Fernando Oster (bateria) não se acomodaram com o sucesso do debut, Time to Rise. Ao invés de conceberem um disco na mesma linha do primeiro álbum, optaram pela ousadia e dessa forma, lançaram Evolustruction.

A audição começa com a faixa-título, que mostra bem essa tendência evolutiva, que lembra os discos que as bandas Bay Área lançados no início dos anos 90, equilibrando peso, velocidade e melodia. Ainda falando desta música, algumas partes do vocal nos remetem ao mestre Alice Cooper, o que aponta mais um atrativo.

Bons exemplos dessa miscelânea podem ser ouvidos em No Last Chance e New Faith, cujas guitarras fazem caras como Alex Skolnick (Testament), Marty Friedman (Megadeth) e Jeff Waters (Annihilator) se encherem de orgulho. Já Purgatory começa tipo balada e depois descamba para o thrash. O trabalho se encerra com uma versão para Breakdown, do Mad Dragzter, que ficou tão boa quanto à original.

Só que a melhor é Haunted by the Past. A canção une riffs cortantes e um final apoteótico que é enlouquecedor!

Uma banda que se o mundo for justo, logo terá uma carreira consolidada no brasil e (principalmente) no exterior.

www.woslom.com

O que não mata deixa mais forte. Assim podemos definir o Nervochaos, banda marcada pelas diversas mudanças de formação, está mais brutal e maléfica em seu quinto trabalho, carinhosamente chamado To the Death. Essa devoção ao metal é percebida logo após os riffs iniciais de Mark of the Beast. Interessante notar que em relação ao disco de estúdio anterior, Battalions of Hate, há uma melhor consolidação musical de sua proposta.Imagem Nervochaos

Aqui, o som está mais homogêneo, ou seja, a banda passeia pelo death, thrash e black metal sem atropelos e dessa forma concebeu seu melhor trabalho até então. Quinho (guitarra), Guiller (voz e guitarra), Felipe (baixo) e Edu Lane (bateria) conseguem fazer músicas empolgantes, como a mórbida The Exile, Mind Under Siege e Warlords Unbound, que chamam a atenção pelas passagens thrash. A dupla das seis cordas cria passagens surreais, seja pelos riffs iniciais de Smoking Mortal Remains (que beiram o sludge) ou os solos alavancados de Hate.

Mas não são apenas as guitarras que dão o ar da graça. Os jogos de vocais fazem um ótimo trabalho em Your World’s Trend. Só que o melhor fica para o final, com a épica Wolves Curse, que começa quase doom, possui levadas empolgantes de bateria e em sua metade passeia por estilos inusitados como o heavy rock e o rock and roll até voltar ao ritmo inicial.

Se for fã das bandas mineiras de metal dos anos 80, pode conferir sem medo, pois o quarteto soube modernizar essa sonoridade, fazendo um dos discos mais poderosos (e maléficos) dos últimos anos.

www.nervochaos.com.br

Já o Forka é uma banda que conheci há pouco tempo e os caras são conhecidos por sua entrega nos palcos, surpreendeu em seu terceiro álbum, Black Ocean. A sonoridade deixou um pouco de lado as passagens grooveadas e ficou mais brutal, o que pode ser percebido na capa, preta e com uma arte que remete ao black metal.

O disco já começa arrancando os pescoços com a faixa título. Dona de riffs e refrão empolgantes, é responsável por muitas rodas. Last Confrontation poderia ser uma trilha dessas lutas de MMA/Jiu-Jitsu. Já Nation of Ashes chama a atenção pelos vocais raivosos de Ronaldo Coelho e o trabalho do baterista Caio Imperato, cuja condução segura e que “bate” apenas nos momentos certos, mostram que é um dos melhores no instrumento aqui no país. Forka

As guitarras de Samuel Dias e Alan Moura são inspiradas em Slayer, Pantera e Exodus atual e os caras mostram que são ótimos discípulos, vide o que fizeram nos solos dobrados de Honor e no sincronismo de Evil Love. Claro, o baixista Ricardo Dickoff segura bem à bronca nas cinco cordas.

Outros destaques são o início “boêmio” de (pegar nome) e Forgiveness Denied e Empire Surrender, que possuem trechos em português, que mostram que a banda pode se dar bem cantando nos dois idiomas.

O resultado disso é que é uma das bandas que mais assisti esse ano, ao lado do Woslom e Command6. Vale lembrar que em novembro os europeus terão a oportunidade de conferirem esse massacre ao vivo.

www.facebook.com/ForkaOfficial

Se um dia ficar sabendo de shows das bandas citadas e estiver a fim de bater cabeça, não marque bobeira, vá, mas não esqueça de comprar as compressas e o gelol.

Sobre o autor: Joao Messias Jr.

João Messias Jr., ouve rock há mais de 20 anos e neste período criou os fanzines Clepsidra, Da Pacem Domine e New Horizons, este último existe hoje apenas na internet. Além do New Horizons, possui publicações veiculadas em portais como Undersound, Rock Post, Die Fight e Roadie Crew.


+ informações
email: joaomessias@teleobjetiva.com.br
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